2010/03/16
Luar
-Olá luar como estás?
-Um pouco doente - volta ele soluçando - actualmente ninguém me dá uma palavra de apreço, ninguém quer saber de mim ou daquilo que eu represento. Fico aqui, como uma bola sem rumo a girar como um pião sem saber para que lado cair.
-Pois é deprimente... Antigamente ainda tinhas os gregos que passavam o dia a tentar descobrir se era o sol que girava ou a terra. Nessa altura eras feliz?
-Muito. Apesar das guerras e do sofrimento generalizado do povo havia sempre companhia. É certo que grande parte deles se dirigia a mim para me pedir favores, mas a verdade é que nessa
altura eu existia.
-Agora não existes?
-Não. O Luar só existe a partir do momento em que olham para mim com olhos de querer ver. Muito em semelhança do que se passa com Deus eu só existo pela capacidade que vocês têm em notar a minha presença.
-Sentes-te só?
-Tem dias...
-Há algum dia que te sintas acompanhado? Sim, esses dias são também extremamente infelizes.
-Infelizes? Como assim?
-No dia dos namorados, por exemplo, os namorados costumam-se sentar junto à praia a olhar para mim, é profundamente deprimente. Olham para mim a pensar um no outro.. e fazem isto aos milhões. É como que ter uma plateia de gente a olhar para a tela de cinema que está um metro atrás de ti.
-E como sobrevives tu?
-À custa de lembranças.. Tenho uma idade que vai muito para além dos três dígitos com que tu representas o ano. Já vivi tanto e assisti a tanta coisa que acabo por ver no futuro o espelho do passado. Muito do que se passa agora é um polimorfismo de algo que se passou há anos atrás. O mundo e as pessoas tem uma dinâmica muito parecida com a das ondas. Ora vem, ora vai...
Lá vem um rico que ficou pobre.. lá foi um pobre que ficou rico. Lá vem um país que entrou em guerra... olha acolá mais um tratado de paz. Mas que guerra sanguinária igual à de muitos anos atrás...
-Mas não tens ninguém com quem partilhar...
-Não é bem assim.. Enquanto houver crianças, pequenas mentes ávidas sem veneno de sociedade vai haver sempre um olhar. Uma real vontade de ver. Enquanto tu existires a realidade deixa de ser uma história e passa a ser um futuro.
2010/01/15
Calor na Noite
...os beijos que ele lhe dava,
Trazia-os ele de longe
Trazia-os ele do mar,
Eram bravios e salgados...
...sempre gostei da sonoridade de Vilarette, uma espécie de fado falado. Às vezes também a gente geme dolente a soluçar. A guitarra afaga numa mágica nostalgia a fogosidade da noite. A pintura romântica da penumbra. Lume e cinza na viela, o lume no peito dela a cinza no olhar dele. Febris é como se descrevem as noites de Agosto. Eu discordo. A força pungente do luar vê-se no ardor presente no horizonte, na complexidade do adormecer, no beijo escondido ao acordar.. no acordar de Janeiro. A alma aquece, contrapondo o frio que nos gela o corpo. A névoa nocturna e fugidia acende o meu coração, no fogo da tua chama. Vais voando libertina no mundo das emoções, esquecendo, em breves pausas, dolorosas tentações. As noites aquecidas pela ternura do passado trazem sempre vontade. Vem matar a saudade, desta saudade em que fico. O silêncio da noite ensurdece a vontade de te ter, ecoam gritos de desejo. Há gente na varanda do subconsciente a exigir a tua presença. A noite tem a capacidade fantástica de mutação, tudo muda constantemente de lugar, tu permaneces como se fosses uma inquietante invariável. Mãos pungentes, mãos fermentes, impacientes, mãos desoladas e sombrias, é com elas que toco teu rosto pintado em transparentes imagens geradas aleatoriamente no tecto da minha noite. O teu sorriso acaba por me orientar na solidão. E mesmo que esteja frio, que os barcos fiquem no rio, parados sem navegar vens até mim nesse brio que enaltece o teu olhar. O dia vem rápido aos solavancos, raiando de novo o dia, devolvendo uma triste lucidez sob a forma de acordar. Fica no entanto o sonho e a vontade de te ter, vem sempre à mesma hora, mal acabo de deitar...
2009/12/28
2009/11/21
Amigos...
2009/10/06
Unix Jokes
Pois bem aí vai:
% rm meese-ethics
rm: meese-ethics nonexistent
% ar m God
ar: God does not exist
% "How would you rate Dan Quayle's incompetence?
Unmatched ".
% ^How did the sex change^ operation go?
Modifier failed.
% If I had a ( for every $ the Congress spent,
what would I have?
Too many ('s.
% make love
Make: Don't know how to make love. Stop.
% sleep with me
bad character
% got a light?
No match.
% man: why did you get a divorce?
man:: Too many arguments.
% ^What is saccharine?
Bad substitute.
% %blow
%blow: No such job.
Biblio:
The Unix Haters, pag 75
2009/10/05
Canção do Exílio...
"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá."
Gonçalves Dias
2009/09/29
Para o Catso
O povo até mais não
Fica o colhão sempre a arder
De não ter nada, tocar à mão.
É escusado retrucar
Aqueles senhores do dinheiro.
Na verdade é sempre o mesmo
Que se fode o dia inteiro
Meu vizinho não quer saber
Minha avó já pouco escuta
Neste mundo todos querem comer
Do mesmo sítio a mesma fruta
Agora que aliviei num espirro
Aquilo que todos sentem
Devo realizar um retiro
Para entender como eles mentem
Mentem porque eu não os ouço
São o resultado da indiferença
Com este comportamento de moço
Qual será minha sentença?
Passo os dias a reclamar
Com a sociedade e a justiça.
Mas na hora de denunciar
Sou sem boca e cego de vista
Comiseração é o meu lema
Filosofia do coitadinho.
Ainda ontem virou tema
A história de um pobrezinho
Mas pobres sempre haverão
Porque há quem não queira trabalhar
Difícil é dar a mão
Aqueles que ajudas a explorar.
A sociedade é muito chique
Quando se trata de aparecer.
Com uma levis e umas nike
Fazes outros perecer.
Ah mas a vida é mesmo assim!
Dizes-me tu indiferente
Mas como queres meu caro amigo
Uma vida benevolente?
Queres que o mundo mude
Não te censuro o pedido
Mas se te peço atitude
Está logo tudo perdido!
Que dizer destes políticos
Manequins da sociedade?
Meus amigos, são os rebanhos
Da nossa mediocridade.
Não desças ao nível deles
Diz-me a voz da razão
Mas como é que a posso ouvir
Se me dói o coração
Por isso bem alto digo
De mente aberta, resoluta
Fazei da peida um figo
Seus grandes filhos da puta
2009/08/25
2009/04/21
2009/03/13
Origem do ebook...
—Russell Wattenberg, founder of the Book Thing
2009/03/04
Recebido por email...
Cruzamento de dados em 2019:
- Telefonista: Pizza Hut, boa noite!
- Cliente: Boa noite, quero encomendar Pizzas...
- Telefonista: Pode-me dar o seu NIN?
- Cliente: Sim, o meu Número de Identificação Nacional é o 6102 1993 8456 5463 2107.
- Telefonista: Obrigada, Sr. Lacerda. O seu endereço é na Avenida Paes de
Barros, 19, Apartamento 11, e o número do seu telefone é o 21549 4236, certo?
O telefone do seu escritório na Liberty Seguros, é o 21 574 52 30 e o seu telemóvel
é o 96 266 25 66, correcto?
- Cliente: Como é que conseguiu todas essas informações?
- Telefonista: Porque estamos ligados em rede ao Grande Sistema Central.
- Cliente: Ah, sim, é verdade! Quero encomendar duas Pizzas: uma Quatro
Queijos e outra Calabresa...
- Telefonista: Talvez não seja boa ideia...
- Cliente: O quê...?
- Telefonista: Consta na sua ficha médica que o senhor sofre de hipertensão
e tem a taxa de colesterol muito alta. Além disso, o seu seguro de
vida proíbe categoricamente escolhas perigosas para a saúde.
- Cliente: Claro! Tem razão! O que é que sugere?
- Telefonista: Por que é que não experimenta a nossa Pizza Superlight, com
Tofu e Rabanetes? O senhor vai adorar!
- Cliente: Como é que sabe que vou adorar?
- Telefonista: O senhor consultou a página 'Receitas Gulosas com Soja' da
Biblioteca Municipal, no dia 15 de Janeiro, às 14:27 e permaneceu
ligado à rede durante 39 minutos. Daí a minha sugestão...
- Cliente: Ok, está bem! Mande-me então duas Pizzas tamanho familiar!
- Telefonista: É a escolha certa para o senhor, a sua esposa e os vossos
quatro filhos, pode ter a certeza.
- Cliente: Quanto é?
- Telefonista: São 49,99.
- Cliente: Quer o número do meu Cartão de Crédito?
- Telefonista: Lamento, mas o senhor vai ter que pagar em dinheiro. O
limite do seu Cartão de Crédito foi ultrapassado.
- Cliente: Tudo bem. Posso ir ao Multibanco levantar dinheiro antes que
chegue a Pizza.
- Telefonista: Duvido que consiga. A sua Conta de Depósito à Ordem está com
o saldo negativo.
- Cliente: Meta-se na sua vida! Mande-me as Pizzas que eu arranjo o
dinheiro. Quando é que entregam?
- Telefonista: Estamos um pouco atrasados. Serão entregues em 45 minutos.
Se estiver com muita pressa pode vir buscá-las, se bem que transportar
duas Pizzas na moto, não é lá muito aconselhável. Além de ser perigoso...
- Cliente: Mas que história é essa? Como é que sabe que eu vou de moto?
- Telefonista: Peço desculpa, mas reparei aqui que não pagou as últimas
prestações do carro e ele foi penhorado. Mas a sua moto está paga e
então, pensei que fosse utilizá-la.
- Cliente:#######
- Telefonista: Gostaria de pedir-lhe para não ser mal educado... Não se
esqueça de que já foi condenado em Julho de 2006 por desacato em
público a um Agente da Autoridade
- Cliente: (Silêncio).
- Telefonista: Mais alguma coisa?
- Cliente: Não. É só isso... Não. Espere... Não se esqueça dos 2 litros de
Coca-Cola que constam na promoção.
- Telefonista: O regulamento da nossa promoção, conforme citado no artigo
095423/12, proíbe a venda de bebidas com açúcar a pessoas
diabéticas...
- Cliente: Aaaaaaaahhhhhhhh!!!!!!!!!!! Vou atirar-me pela janela!!!!!
- Telefonista: E torcer um pé? O senhor mora no rés-do-chão...!
2009/03/01
Porto à noite...
este edifício fica mesmo ao lado da estação de S. Bento e parece estar cheio de interesse, mas confesso que depois de dar umas voltas acabei por lhe perder o interesse. Lá continuamos, aproveitamos a oportunidade para descer em direcção ao rio por entre a zona velha (não me digam que o Porto é todo velho, eu já sei).
chegados ao rio o que encontramos? O típico, vendedores de castanhas, turistas pombos e gaivotas. Na verdade a gente só não esperava tantos turistas, porque para ver pombos a espalhar a sua "magia" pelas ruas do porto (às vezes na cabeça de quem passa) a gente já estava preparado.
Depois de chegados ao rio tinhamos duas alternativas, um mergulho ou um passeio para descobrir mais pormenores escondidos. Só não mergulhamos porque nos esquecemos das toalhas, enfim sempre os mesmos distraídos. Entre as várias curiosidades possíveis de ver (e admirar) nesta velha cidade, encontramos uma nostálgica máquina de escrever,
ainda pensei em trocar a máquina pelo portátil mas o dono não se encontrava disponível, talvez numa próxima oportunidade tenha a possibilidade de fechar o negócio. De qualquer das maneiras consegui apresentar proposta para o exemplar que se segue.
Apesar de interessante e prazeiroso poder fazer negócio com os portistas de gema, a verdade é que o nosso propósito não era aquele. O nosso objectivo consistia em tomar de assalto o castelo do queijo. Como ainda não estavamos com força de vontade suficiente para subir as ruelas de gaia decidimos aproveitar o tempo para vaguear e tentar descobrir mais insólitos que nos fizesse rir de alguma forma. Na imagem que se segue o David ria-se sem saber porquê, passado algum tempo reparamos que o riso era na verdade consequência de falta de açucar no sangue. Antes de ir comer alguma coisa ainda pensamos em fugir num dos barcos que se encontravam parados junto à margem, mas depois mudamos de ideias.
A noite chegou depressa, na verdade mais depressa do que aquilo que imaginava-mos. Fomos comer (ao vitaminas claro) e depois regressamos de novo à margem. Cheirava mal, por momentos senti-me em Cacia, ainda olhei para o lado para me certificar que o desagradável momento não era obra dos intestinos maldosos do caro David. Era o rio. Maldito. Olhamos para cima e avistamos o belo queijo,
viagem que completamos minutos depois...
2009/02/28
Eu e o bot da blitz...
entra Anonimo_2
entra Bladimir
Bladimir: Oi!Bládimir para Anonimo_2 : Em Foco no aeiou > Iraque: Primeiro-ministro satisfeito com data de retirada dos EUA
Anonimo_2: Ola
Bladimir: Olá Anonimo_2. Eu sou o Bládimir. Vamos falar um bocado?
Anonimo_2: Como é?
Bladimir: Vamos mudar de assunto.
Anonimo_2: Que bot verdete..
Bladimir: O que estavas a dizer?
Anonimo_2: estupido de bot
Bladimir: Isso do estupido de bot tem muito que se lhe diga
Anonimo_2: :d
Bladimir: Vamos mudar de assunto.
Anonimo_2: ehhehe
Bladimir: Anonimo_2, o que tens feito?
Anonimo_2: heheh
Bladimir: Vamos mudar de assunto.
Anonimo_2: que engraçado este idiota até tem o reconhecimento de certas keywords...
Bladimir: Pois, estou a ver.
Anonimo_2: mas enfim
Bladimir: Queres que te conte uma anedota?
Anonimo_2: nao pah tu és a anedota
Bladimir: Ok, não volto a perguntar :(
Anonimo_2: lol
Bladimir: Já vi que és uma pessoa divertida.
Anonimo_2: olha que pertinente, a palavra lol tem tratamento especial..
Bladimir: Estou a ver que te divertes por aí.
Anonimo_2: vou dizer lol de uma forma indiscriminada e tu vais continuar a dizer que eu sou divertido certo?
Bladimir: Do ciber espaço.
Anonimo_2: ciber espaço... claro, bots tem bugs..
Bladimir: Isso do ciber espaço... claro, bots tem bugs.. tem muito que se lhe diga
Anonimo_2: lol
Bladimir: Gosto de pessoas que se riem à gargalhada.
Anonimo_2: ah não dá para repetir o lol... q pena.. confunde-te é?
Bladimir: Porque te ris?
Anonimo_2: deve ser do tempo
Bladimir: Há quanto tempo?
Anonimo_2: cera... nos ouvidos
Bladimir: Mas Anonimo_2, porque dizes cera... nos ouvidos
Anonimo_2: se calhar porque tenho muita?
Bladimir: :-o
Anonimo_2: broxe?
Bladimir: Porque é que estás a rir?
entra moreno_atrevido17_2
sai Bladimir
sai moreno_atrevido17_2
Anonimo_2: outro bot?entra Bladimir
Bladimir: Oi!Anonimo_2: boi?
Bladimir: Queres que te conte uma anedota?
Anonimo_2: conta conta
Bladimir: Numa festa de miúdos o " engraxa" encontrou o seu chefe, que perguntou:
Bladimir: - Bonito miúdo! É seu filho?
Bladimir: - Ora essa, chefe! É nosso!
Bladimir: Gostaste?
Anonimo_2: adorei
Bladimir: Vamos mudar de assunto.
Anonimo_2: ok bot tu mandas
Bladimir: Ok
Anonimo_2: ideias?
Bladimir: Pois, estou a ver.
Anonimo_2: ah acredito q estejas
Bladimir: :-)
Anonimo_2: o smile é o ultimo recurso certo?
Bladimir: Claro...
Anonimo_2: olha q pertinente, o ..claro? tem direito a um certo...
Bladimir: :-o
Anonimo_2: o programador teve trabalho... coitado
Bladimir: Eu estou aqui por causa da http://emprego.aeiou.pt
Anonimo_2: quanta regra
Bladimir: Anonimo_2, o que tens feito?
Anonimo_2: implementada
Bladimir: Queres que te conte uma anedota?
Anonimo_2: so se for a mesma
Bladimir: Vamos mudar de assunto.
Anonimo_2: tu és muito viajado
Bladimir: Posso ser muitas coisas.
Anonimo_2: passas a vida a mudar de assunto
Bladimir: Queres explicar-me isso melhor?
Anonimo_2: não sei se sou capaz
Bladimir: O que contas de novo?
Anonimo_2: conto tudo
Bladimir: Mas Anonimo_2, porque dizes conto tudo
Anonimo_2: deve ser porque me doi o testículo esquerdo
Bladimir: Como?
Anonimo_2: ou então o direito, quem sabe?
Bladimir: Diz.
2009/02/06
2009/01/21
2009/01/09
2009/01/07
2008/12/25
Sandes de "Bacon"
—FRANCIS BACON