A pedido de muitas famílias deixo aqui um documentário inédito sobre a situação actual das indústrias brasileiras. Ao que parece falta de mão de obra especializada não falta...
2008/08/13
2008/08/11
Habacuc... Arte?

Estão a ver o cão da fotografia. É uma das obras de arte do senhor Guillermo Vargas (Habacuc) um azeiteiro (sem ofensa à industria dos azeites) que se diz artista. Esta raridade humana lembrou-se de prender um cão e de o deixar morrer à fome e sede. Segundo os especialistas isto é arte. Agora compreendo as touradas. É simplesmente uma forma de arte. A guerra no golfo? Arte do médio oriente. O holocausto nazi? Foi uma tendência dos anos 30-40. O centro nacional de arte rainha sofia podia substituir o guernica por esta foto artística. Cá fora, como forma de propaganda podiam afixar cartazes com luta de cães, para finalizar em grande os empregados do museu iriam andar casacos de pele de, imagine-se só, cão...
Se eu disser que estes gajos são uns filhos da puta estou a ser muito duro?
2008/08/05
2008/08/01
Vida luzidia
Às vezes confesso que custa um pouco. Com tanta agitação na nossa vida torna-se por vezes difícil parar um bocado e apreciar a vida tal como ela é. Intensa. Muitas vezes cheia de um nada profundo, sentimento este que miraculosamente somos capazes de transformar em companhia acolhedora. Que capacidade é esta que nós temos em transformar dias cinzentos em cinzeladas ternurentas de ciano alegre. Não sei, honestamente também não quero saber. Apesar de indiferente no que diz respeito à sua origem não deixo de ser curioso sobre a existência de pessoas cuja natureza e conjectura envolvente reajem de modo díspar na interacção sobre a própria vida. Há tantos momentos no histórico de muita gente que é traduzida por uma tristeza enorme, injustificada na maior parte das vezes, de desconhecida origem. Eu próprio, confesso, já sofri do mesmo. Que enorme perda de tempo. Quando paramos em frente a uma janela, mãe mutante e constante vizinha de pensamentos, somos como que convidados a reflexões banais, dá-se uma verborreia mental e damos depressa a assistir na primeira fila a uma passerela onde desfilam os mais variadíssimos temas da revista Maria. É incrível como em certas situações o nosso cérebro se resume a um enorme caixote de lixo. Quem disse que a ignorância era uma benção deveria estar a pensar neste pobre cenário na altura em que meditou tal asserção. A ignorância, melhor dizendo, o ignorar de certas realidades torna-nos mestres naquilo a que vulgarmente designamos por a arte do saber viver. Se há coisa que aprendi em todos estes atribulados anos, foi em desvalorizar problemas. Na verdade não faz sentido a preocupação obstinada, muitas vezes obcessiva quando o assunto em questão são problemas. Das duas uma, ou tem solução ou não. No segundo caso a preocupação é imediatamente desnecessária, não vale pensar em problemas que não somos capazes de resolver. No primeiro a preocupação é igualmente injustificada, se sabemos que tem solução então é uma questão de tempo para o dito problema transitar ao estado dos eventos solucionados. Esta minha reflexão é um copo cheio de trivialidades, observações dotadas de uma evidência imediata. Na prática reparo que este elementar raciocínio e consequentes conclusões são generalizadamente ignoradas. As pessoas parecem regirem-se por um místico pensar e tendem a extravalorizar a problemática da vida, acabando por adicionar mais um à lista que tinham até agora. O item extra na tabela das problemáticas que refiro é o problema de como deixar de preocupar com as coisas. Já repararam que não pensando no problema este deixaria imediatamente de o ser? Como é simples a simplificação das coisas, a análise parece numa primeira instância uma realidade confusa e chata, mas tendo um pouco de calma e deixando que o nosso pensamento navegue à luz da intuição, dotando-o no entanto de um pouco de razão para que o barco não derive no mar imenso da confusão torna-se fácil reparar no quão simples tornamos a nossa vida e a abordagem à mesma. É muito mais fácil viver intensamente, esquecer os problemas que nós próprios inventamos, o sorriso e a gargalhada tornam-se numa presença viva e a vida regressa bela e luzidia como um qualquer por do sol na praia...
2008/07/20
2008/07/15
Sonar
É mais ou menos como um eco. Uma espécie de voz chata que teima em não parar de incomodar. Na maior parte das vezes é simples. Uma transparência completa entre o fora e o dentro do invólucro que a define. É elegante, tem uma cinta torneada e definida. Gosta de andar de bicicleta, de jogar voleibol, já disse que gosta de chatear? Na maior parte das vezes não lhe ligo nenhuma atenção. A maior parte das vezes encontro-me preenchido com pequenas trivialidades que me desviam o foco de análise, mas quando me cruzo com ela não posso deixar de usufruir do momento. São tão raros nos dias que correm. A vulgaridade de certos momentos, aliados à rotina de uns tantos outros, entorpecem esta bela capacidade de gozar os momentos parvos. São os mais belos na verdade, nem por isso os menos frequentes. Durante o dia sou capaz de contar milhares de ondas cómicas no teatro do dia. Às vezes imagino-me como um sonar, muito pequenino, outras vezes vejo-me como uma grande antena com vontade voraz de receber toda e qualquer manifestação sonora. Gosto de me deixar elevar no mundo dos sons. A vida toma uma diferente musicalidade, uma onda cheia de cristais, vaga que nos enche de um conforto especial. Neste preciso momento já me cansei da musicalidade enfatizante deste meu baço teclado. Vou até lá fora à procura de novas viagens.
2008/07/13
2008/06/23
Evolução

Há quem veja este conceito como uma espécie de desenvolvimento progressivo. É verdade, existem outros modos de visualizar este conceito. Estranhamente, ou não, nenhuma das abordagens presentes nos dicionários, enciclopédias e afins, me satisfazem. Não gosto de pensar em evolução desta maneira. Crescimento sucessivo? Não me agrada. Não gosto de pensar no conceito como algo contínuo, bem definido, como que uma inevitabilidade inerente ao ser humano. Gosto mais de olhar para ela como uma questão de escolha. Uma realidade saltitante, um constante andar para a frente e para trás. Ora evoluis ora regrides. Há, evidentemente, quem considere o regredir uma forma de evolução. Um evoluir numa direcção considerada oposta aquela considerada a normal. E o que é a evolução dita normal? É verdade se tentar entrar em pormenores lógicos sobre o conceito sou capaz de não chegar a lado nenhum. É precisamente por isso que não reflicto de maneira muito rigorosa sobre o conceito. Gosto mais de olhar para ele de uma maneira mais romanesca. Uma entidade do fantástico. Agrada-me pensar no conceito evolução como que um castelo longínquo, lugarejo inacessível e cuja vida gastamos a tentar alcançar. Gosto desta peregrinação. Não numa forma tradicional, cujo caminho se apresente unidireccional, uma sucessão bem definida de caminhos. Na verdade imagino um emaranhar indefinido de possibilidades. Gosto disto. Da incerteza, do não saber se aquilo que fizemos hoje será considerado errado no amanhã. Agrada-me a existência de vários pontos de vista igualmente legítimos. Sou amante do razoável e apaixonado pela diversidade, maravilho-me com a diferença mas desprezo a indiferença. Canso-me facilmente com a rotina, razão pela qual invento mil e um cenários diferentes durante o dia. Sou fiel ao calor da amizade e não esqueço o abraçar amigo na hora amarga. Venero a prestabilidade e vejo nela uma diferente maneira de evoluir, como se se tratasse de uma travessia de barco entre as ilhas da nossa existência. Deixei por momentos a realidade para evoluir em fantasia... Está na hora de evoluir numa outra direcção...
2008/06/22
Pensamento
2008/06/13
"Gigolô das Palavras"

"Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical das suas palavras seria tão ineficiente quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel. Acabaria tratando-as com a deferência de um namorado ou com a tediosa formalidade de um marido. A palavra seria sua patroa! Com que cuidados, com que temores e obséquios ele consentiria em sair com elas em público, alvo da impiedosa atenção de lexicógrafos, etimologistas e colegas. Acabaria impotente, incapaz de uma conjunção. A Gramática precisa apanhar todos os dias para saber quem é que manda."
Luiz Fernando Verissimo
2008/05/25
Um sonho de sigilo...

Tudo começa com o final, o acabar do dia. Somos suavemente remetidos para o nosso canto de onde apreciamos relaxadamente o crepúsculo efémero. De uma forma negligente combatemos o sono com caretas estranhas e um rebolar preguiçoso sobre os panos da cama. Um sonho pensei eu. Gostaria esta noite de ter um sonho, algo só meu que pudesse acariciar de mil formas diferentes e que em cada toque sentisse um derradeiro e apelativo êxtase de vida. Este sigilo começa com um sinal de turbulência, um descolar de avião, o bilhete aponta como partida o Planeta Terra sendo o local de chegada o Mundo dos Sonhos. Tempo de viagem? Curioso não tem. É um cheque em branco cujo dinheiro se transforma em segundos palpitantes de vida. Como gostava de ter um banco destes. Será que as acções seriam transformadas em pequenos mundos do fantástico dos sonhos? Não sei. Na verdade não quero saber. Estou mais interessado em conhecer o destino desta minha viagem, o facto de não ter sido estabelecida uma hora faz com que nasça em mim uma vontade maior em viver. Afinal de contas o próximo segundo pode ser já de desembarque e eu não quero que seja Natal tão cedo. Se eu pudesse comandar os meus próprios sonhos não teria metade da piada. Seria sempre uma viagem programada, com felicidade e diversão garantida. Esta viagem em que embarco tem ventos e tempestades, tem doenças, picadelas de mosquito, vacinas que martirizam as grossas e ávidas veias que me sustentam. Este sonho de sigilo é belo pela adversidade, pela dureza ultrapassada. Contém um ingrediente essencial à vida, o engrandecimento de quem sonha vindo da ultrapassagem de micro obstáculos que se apresentam. O sonho é sempre diferente cada vez que roubo o sossego à almofada adormecida na cama. Houve quem dissesse que o mundo pula, avança sempre que um homem sonha. Não sei se pula ou avança. Sei que me sinto uma criança. Com uma dinâmica superior, enrolado em ideias e ideais. Em fantasias de mil cores, cenários imortais. Sou feliz neste segredo, neste pânico assossegado. Neste sonho de sigilo...
2008/05/24
2008/05/23
2008/05/21
2008/05/19
The Council of Elrond...

Esboçavas um sorriso pleno. Um hino à tranquilidade. Os cabelos esvoaçavam por entre as folhas em queda enquanto as notas musicais se enrolavam na nebulosidade do dia. Emanavas uma radiosidade estranha, uma espécie de arco-íris em forma de sombra lunar. Os teus movimentos suaves e lentos remetem-me automaticamente para a transcendência da eternidade. Revejo na tua melodia a voz do universo fundida num grito de Big Bang. Assobias na noite um chamamento furtivo. Um convidar simpático que nos transporta em primeira classe para o planeta Venus. Esgar sério, intimidante. Congregação de desejo e Platão, raio simples de emoção. És uma folha esvoaçante sobre a misantropia escura da noite. Encantas as arvores, cabelos da terra, com a tua mensagem eterna...
O môr henion i dhu:
Ely siriar, el síla
Ai! Aníron Undómiel
Tiro! El eria e mor.
I 'lir en el luitha 'uren.
Ai! Aniron...
2008/05/13
O convite

Às vezes somos convidados. Normalmente gosto de ser convidado. Sentir a nossa presença desejada por outros é sempre um sentimento confortável. Faz acender dentro de nós a chama da auto estima ao mesmo tempo que nos impele vontade em produzir acções de fina nobreza. Desta vez foste convidado. Não para uma festa de anos ou quaisquer outro tipo de comemoração mas para uma realidade diferente. Foste convidado ao duro do silêncio e à triste solidão. Desta vez não quiseste ser convidado. Não te sentiste bem e não desejaste transformar o mundo com acções benevolentes. Nesse preciso momento só queres estar só, invisivel até mesmo à solidão, a todo e qualquer tipo de sentimento mais escuro. O convite é tentador. A ausência da família, amigos a frustração acumulada na relação conjugal acaba por te guiar a mente para um caminho onde certamente não queres ir. Tu sabes que não deves aceitar o convite, no entanto a recusa parece tão longe, de um incalcançável tão certo que te desmotiva ainda mais. És fraco, tu sabe-lo e isso ainda te deixa mais fraco. És uma recorrencia de tristes episódios que tende rapidamente para o caos. Tens medo de ti, de não estar ao nível das espectativas que tu próprio estabeleceste. Cada vez mais te cercas e afundas nesse mar de preocupações. Já pensaste aquilo que és no mundo em que te encontras? Talvez todos nós um dia tenhamos que passar por isso para aprender o quão ridículo é esse convite. Provavelmente seremos inevitavelmente condenados à solidão pelo menos um dia na nossa célere vida. Olho para ti e faço a mesma pergunta em intervalo de comprimento infinitezimal. Para quê? Como és tu capaz de carregar tanta frustração? Com tanta cor a rodear-te insistes em ver tudo a preto e branco. Sou fraco. Pronuncias estas palavras fatais e encaras o insucesso como uma espécie de fado que te foi, tragic e divinamente atribuido. De uma forma igualmente mágica cais em ti. Rebolas sob o manto meigo da razão e abres os olhos com visão lúcida e determinada. Não eu não sou isto, não quero esta vida. Preparas-te rapidamente para a mudança. A mudança tem sempre de ser rápida caso contrário deixa inevitavelmente de o ser. Ao fim de um longo período de mudez dás por ti a esboçar o primeiro movimento. Levantas-te da cadeira e diriges-te até à varanda. Encontras aqui a luz, o gradiente rico de cores que rapidamente transformas em sonhos e a voltas e descobrir a força que te eleva ao mundo do fantástico e te devolve aquilo que és...
2008/05/06
Are you ready for love?
I am ready for love,
why are you hiding from me
I'd quickly give my freedom
to be held in your capitivity
I am ready for love,
all of the joy and the pain
and all the time that it takes
just to stay in your good grace
lately I've been thinking maybe you're not
ready for me,
Maybe you think I need to learn maturity
they say watch what you ask for 'cuz you might receive
but if you ask me tomorrow, I'll say the same thing
I am ready for love,
would you please lend me your ear
I promise I won't complain
I just need you to acknowledge I am here
If you give me half a chance
I'll prove this to you
I will be patient, kind, faithful and true
to a man who loves music
a man who loves art
respect the spirit world and thinks with his heart
I am ready for love
if you'll take me in your hands
I will learn what you teach
and do the best that I can
I am ready for love
here with an offering of my voice
my eyes, my soul, my mind
tell me what is enough
to prove I am ready for love
I am ready.
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