2008/03/13

Piropos à trolha.... Para que a arte nao caia em desgraça...

Piropos de Trolha:

> 1. Com um cu desses estás convidada para cagar em minha casa!
> 2. A tua mãe só pode ser uma ostra para cuspir uma pérola como tu!
> 3. Só queria que fosses uma pastilha elástica para te comer o dia todo.
> 4. Tens um cu que parece uma cebola! É de comer e chorar por mais!
> 5. Oh boa, com um cú desses deves cagar bombons!
> 6. És como um helicóptero: gira e boa!
> 7. Um dia pensei levar-te no meu coração.Mas depois topei que era muita
> areia para o meu camião...
> 8. Usas cuecas TMN? É que tens um rabinho que é um mimo!
> 9. Que belas pernas! A que horas abrem?
> 10. Ó Fevera! Junta-te aqui à brasa!
> 11. Ó joia! Anda aqui ao ourives.
> 12. Ó linda, sobe-me à palmeira e lambe-me os cocos...
> 13. Sabes onde ficava bem essa tua roupa? Toda amarrotada no chão do meu
> quarto...
> 14. Acreditas em amor à primeira vista; ou tenho que passar por aqui mais
> uma vez?
> 15. Contigo filha, era até ao osso!
> 16. Quem me dera que fosses um frango para te pôr um pau no cú e fazer-te
> suar...
> 17. Quem me dera que fosses um carrossel para te montar o dia todo por 100
> paus...
> 18. Não és nada má! Já tive pior e a pagar!
> 19. Oh boa! Aposto que hoje é o teu dia de anos... Não queres vir cá
> soprar
> na vela?
> 20. Oh boa! Até te fazia um vestidinho de saliva!
> 21. Quem me dera ser um barco pirata para ir descobrir o teu tesouro!
> 22. Andas na tropa?!... É QUE JÁ MARCHAVAS!
> 23. Sobe aqui ao andaime, que eu já estou com ele montado!
> 24. Ó filha anda cá que o pai unta-te!
> 25. Tanta carne e eu em jejum...
> 26. Gorda como estás vê-se logo que nao suas muito...
> 27. Se o teu cu fosse uma torrada tinha de barrar a manteiga com um remo!
> 28. Contigo... era até achar petróleo!
> 29. És católica?... É que tens umas mamas, valha-me Deus!
> 30. Posso não ser bonito como o Brad Pitt, nem ter os músculos d o
> Scwarzenegger, mas a lamber sou uma Lassie...
> 31. Se é verdade que somos o que comemos, eu amanhã podia ser tu!
> 32. Come to me, que eu como-te a ti...
> 33. Com uma montra dessas... imagino como é que é o armazém!
> 34. Olha, queres ir lá a casa para ouvir música? Se depois não gostares da
música, podes vestir-te e ir embora !!
< 55(aurora) - com uma bilha dessas, até eu ia à fonte!

(É para tirares umas ideias ;)

Seu maconheiro... seu merda...

2008/03/12

2008/03/08

Dia do insólito

Se eu pudesse escolher como ser perseguído, escolhia ser alvo de uma obsessão sexual de uma rapariga fogosa de 20, 22 anos, talvez morena de cabelos loiros encaracolados. Infelizmente não posso. Chatice. Em contrapartida tenho sido alvo de uma perseguição constante por parte do senhor insólito. É verdade. A situação estranha insiste em palmilhar o terreno por onde passo. Sou uma pessoa normal como muitas outras. Quem me conhece sabe que não sou dotado de poderes paranormais nem sou capaz de prever o destino num período de dois minutos (ver o filme Next) no entanto a frequência com que me vejo no meio de cenários astronomicamente parvos é somente igualada pela futilidade das novelas da tvi. Encontro-me na estação de autocarros do Porto, na Paços Manuel. Para quem não tá a ver é aquela javardice perto do restaurante Abadia, ora cá está um restaurante com um belo nome, só pelo nome já dá para imaginar o cenário. Um bando de gordos a regojizar o almoço de duas horas à base de fritos e diversa cozinha do tipo engorda. À entrada um drogado mendiga moedas com um olho fechado e o outro em regresso de uma viagem recente. Ao fundo da estrada encontramos dois funcionários de estacionamento a operar sobre viaturas de alta cilindrada. Enfim, um cenário acolhedor. Saco do telemóvel e reparo que a minha mãe me tentara telefonar, dirijo-me naturalmente à cabine telefónica que se encontra dentro da estação, insiro duas moedas, perfazendo um total de 40 cêntimos, (a vida tá cara) e reparo que o aparelho mecânico electrónico não está com vontade de proceder ao seu funcionamento habitual. Sou de uma maneira habilidosa e educada roubado pela PT. Como sou uma pessoa normal não acho grande piada ao facto de ser assaltado de uma forma tão flagrante como esta. É incrível as vezes que estas máquinas não funcionam, a mim parece-me muito conveniente. É estranho ela não fazer como aquelas maquinas de casino e dar um valente jackpot. Já que tem a fantástica capacidade de se enganar podia tirar férias e converter o engano em favor do cidadão. Mas não, coitadinha da máquina. Volta e meia este aparelho de furto especializado lembra-se e desencadeia a táctica mensal de colecta de fundos. Depois não admira que a PT venha com anúncios fantásticos na TV. Dirijo-me ao funcionário da Rodonorte e peço-lhe muito educadamente que coloque um aviso na máquina para que a colecta de fundos desta semana não seja de grandes lucros para a PT. A resposta foi simples e efectiva, a maquina é da PT não é nossa, não somos nós que temos de por avisos. Deu a resposta e riu-se como se estivesse a falar com alguém possuidor de uma doença mental limitadora do arquitectar de raciocínios de índole básica. Eu com toda a tranquilidade de quem acabara de ser roubado retribuo o sorriso com um seco, pois claro não é vossa, assim como o dinheiro também não é vosso... ele fica a olhar pra mim. Curioso nesta altura já não se riu. Balbuciou umas quaisquer palavras de uma maneira rude às quais eu respondi com um cínico sorriso. Nesta altura entendi o ditado quem ri por ultimo ri melhor. Eu gostava de saber os paradigmas segundo os quais são efectuados os cálculos mentais destas aves de rapina. Se eu estivesse a cagar em cima da cabine telefónica será que ele me iria dizer alguma coisa? Ou será que iria sorrir e dizer olhe se precisar de papel pra limpar o cu é na segunda à direita.? E se eu me peidasse ao passar por ele e lhe dissesse de uma maneira educadamente cínica, ah este arroz de marisco deixa-me o cu que nem uma sapateira... Depois sorria acrescentando o que vale é que o ar é de todos... Que é que ele dizia?
Sentei-me na esperança de momentos mais sossegados e um pouco mais sanes. Pouco depois reparei que tinha pedido demais. Uma velhota falava na minha direcção, gesticulava com uma maneira particularmente serena, sorria de uma maneira assíncrona e tornava-se verdadeiramente assustadora quando intercalava os sorrisos com silêncios espaçados e alterações de humor abruptas. Eu aproveitei os headphones, o leitor de mp3 e decidi aumentar o volume até não ouvir quaisquer vestígios de palavras loucas. Seria agora que o sossego iria chegar? Pois está claro que não. Um fiscal de rua (aka drogado) veio ter comigo inquirindo sobre possibilidade de ser presenteado com uma moedinha. Dirigi-se nos seguintes modos, pxi ou? Tás a oubir? Eu olho para ele e rosno um mal disposto sim? Ele olha com olhar vago e diz arranja-me uma moeda! Eu ainda fiquei em dúvida se ele estava a gozar, mas pouco depois reparei que ele estava mesmo a dar ordens. Eu não aguentei e respondi-lhe no meio de uma risada parva e sonora, pois tá claro! Ele ficou meio alucinado a olhar pra mim e voltou com um então a moeda? Eu olhei para ele sem dizer nada e esperei que ele continuasse a vida dele. Ele virou o olhar, agiu como se nada fosse voltando-se pra velhota que me vizinhava dizendo. Arranja-me uma moedinha? Eu ri-me. Afinal o gajo aprende rápido. Afinal havia mesmo de lhe ter dado a moeda, o rapaz merecia. Quanto mais não seja pela lição de funcionamento da psique humana. Sagacidade a esta gente não falta. E se não estou enganado as moedas também não devem ser assim tão escassas...
Acho que por hoje é tudo.

Lords da dança





:D

2008/03/07

Under the Gun -- The Killers :D

She's got her halo and wings
Hidden under his eyes
But she's an angel for sure
She just can't stop telling lies
But it's too late for his love
Already caught in a trap
His angel's kiss was a joke
And she is not coming back

Because heaven sends and heaven takes
Crashing cars in his brain
Keep him tied to a dream
And only she can set him free
And then he says to me

Kill me now, kill me now, kill me now, kill me now
Kill me now, kill me now, kill me now, kill me now

Yeah she's got a criminal mind
He's got a reason to pray
His life is under the gun
He's got to hold every day

Now he just wants to wake up
Yeah, just to prove it's a dream
Cause she's an angel for sure
But that remains to be seen

Because heaven sends and heaven takes
Crashing cars in his brain
Keep him tied to a dream
And only she can set him free
And then he says to me

Kill me now, kill me now, kill me now, kill me now
Kill me now, kill me now, kill me now, kill me now

Stupid on the streets of London
James Dean in the rain
Without her it's not the same
but it's alright

Because heaven sends and heaven takes
Crashing cars in his brain
Keep him tied up to a dream
And only she can set him free
And then he says to me

Kill me now, kill me now, kill me now, kill me now
Kill me now, kill me now, kill me now, kill me now
Again and again

2008/03/05

Sinos, detestas sinos...



Sinos? Ela nunca gostou de sinos. Não tolera nada daquilo que estas pequenas peças de corpo metálico representam. Vê no ecoar severo uma rotina autoritária, um chamamento obrigatório. Ela sempre foi uma amante da imprevisibilidade. Abraçou desde cedo peito alegre do desconhecido. Foi sempre fiel a si mesma. Possui um terno sorriso, um falar dinâmico, parece que para ela é sempre sexta feira, fala com uma alegria contagiante e não hesita um momento para reflectir nos mundos paralelos do que poderia ou não deixar de ser. Tem mãos harmoniosas, talhadas de um castanho escuro lavado. Espelha no andar a determinação e força de espírito que a caracteriza. À falta de melhores adjectivos posso dizer que ela é diferente. Ostenta em si uma luz que esconde um pequeno mas definido brilho. Os olhos confundem-se com a banalidade do amanhecer, mas tem a ternura de um fim de tarde solareiro. É teimosa como uma criança birrenta. Às vezes consegue ser um bocado irritante e chata, mas é-o sempre com uma elegância e naturalidade que a torna encantadora. Acima de tudo é feliz. Partilha com amigos e o mundo em geral aquilo que mais lhe aquece a alma e tem por hábito sorrir com os olhos. Não respeita a falsa virtude da linguagem e liberta as emoções na vulgaridade do calão. À primeira vista ficamos com impressão de se tratar de alguém com má formação, com o passar do tempo reparamos que toda a agressividade, rudeza presente nas palavras que respira não são mais que uma forma de gritar com o mundo. Não é um ser revoltado, mas a sua intempestividade é mais que visivel. Vive rodeada de amigos, raramente se encontra sozinha e quando isso acontece refugia-se na companhia fiel do leitor de mp3. Ao falar a curta distância posso reparar no seu cheiro reconfortante, é uma fragrância que desconheço e não consigo descrever com grande exactidão, é um odor de razoabilidade, desperta no olfato uma sensação harmoniosamente agradável, é um cheiro incisivo. Tem a pele macia, de um agradável toque. O sorriso é um hino à geometria, parece respeitar todas as regras de simetria, os dentes de marfim alegram o mais cabisbaixo transeunte. É de uma bondade impressionante, não hesista em estender o braço. É desconfiada e exagera na quantidade de perguntas quando se perde em algum assunto. Os lábios preenchem um perfeito gradiente entre o castanho da pele e o rosa da parte interna da boca. Tem uma lingua lasciva e utiliza-a frequentemente em sinal de provocação. Mas não gosta de sinos, não gosta da previsibilidade nem acredita no destino. No entanto acredita no para sempre, acredita na existência de um testo para cada panela e a cima de tudo acredita em mim e limita-se a sorrir de forma aparvalhada ao meu olhar perdidamente fixo. Já disse que não gosta de sinos, nem da previsibilidade? Não gosta da musicalidade clerical, mas gosta de mim...

2008/02/29

Hino aos Trolhas

Frases, expressões manifestações de amor diversas. Todo o sentimentalismo, romantismo calor da fêvera proveniente do mundo dos andaimes...

"Ohh jeitosa.. tens ums olhilnhos.. que que.... fodia-te esse cu todo"

"Pxi ó boa, anda subir aqui ao andaime que já tou com ele montado..."

"Mulher não vale nada, até o pobre tem uma.."

"Para evitar filhos, fode com a cunhada - só nascem sobrinhos."

"Mulher é igual a pão de forma: Quadrada, casca dura, miolo mole e se não comer logo, mofa."

"Nem todas mulheres se realizam no fogão. Muitas só encontram a felicidade no tanque."

Este post surgiu de uma conversa profunda, tipica de casa de banho com, o excelentissimo Maurício...
Obrigado rapaz. O que era de mim sem ti...

2008/02/28

A nossa musicalidade

O dia estava revestido de um cinza triste. O sol parecia ter-se zangado com os mortais para se vingar decidiu não aparecer naquele dia. Quando os dias se vestem com uma roupa triste, como era caso, a única solução passa pela aplicação de maquilhagem musical. O mp3 é sempre uma aprazível solução...

No, I don't wanna fall in love (This world is only gonna break your heart)
No, I don't wanna fall in love (This world is only gonna break your heart)
With you


-Olha olha. Não me acredito que também ouves Him. Adoro a música Wicked Game.
-Quem te disse que isto é Him? Chama-se Chris Isaak e é uma reinterpretação de um dos
maiores sucessos da Ágata. És uma ignorante.
-Sim claro. Já me esquecia que aqui o entendido em música fatela és tu!
-Presumo que fatela seja o equivalente ao rasca mas dito por uma betinha de cascais certo?
-Mas uma betinha muito bonita certo? Uma betinha que tu não te importavas nada de...
como é que vocês dizem mesmo? Ah já sei... Uma betinha boa para afiambrar. Vocês gajos são todos iguais.
-Cabreiros queres tu dizer?
-Cabreiros? Que é isso!
-Não sabes o que quer dizer cabreiro? O teu grau de betice atinge níveis inimagináveis.
-Continuo à espera...
-Bem ser cabreiro é possuir a fantástica arte do maçarro.
-Maçarro? Então? Estás a gozar com a minha cara certo?
-Presumo que não saibas o que quer dizer maçarro...
-Pois, devia?
-Claro que devias, como é que queres entender a profundidade dos diálogos nortenhos se nem sequer conheces o dialecto base? Gajas...
-I'm waiting...
-Ser maçarro é ser rude, desprovido de elegância, azeiteiro no pior sentido da palavra.
-Ah ainda bem que nos entendemos. Que música é essa que tens no mp3?
-Quê, não me digas que não conheces isto.
-Sim conheço sei a letra de cor,

-...Então seguirei meu coração, até o fim
Pra saber se é amor
Magoarei mesmo assim, mesmo sem querer
Pra saber se é amor
Eu estarei mais feliz mesmo morrendo de dor (yeah)
Pra saber se é amor, se é amor...


-Então pah? A ouvir J Quest? Não tens vergonha. Musiquinha de senhora?
-Vocês gajas não estão sempre a dizer que nós gajos somos uns insensíveis? Pois então? Isto é só para ajudar a desenvolver o meu lado feminino.
-Por este andar ainda te vou ver a ouvir Tony Carreira.
-Não minha querida não sou assim tão perfeito. A minha personalidade molda-se, é verdade, mas há limites para tudo...
-É mesmo verdade?
-Verdade?
-Que eras capaz de magoar só para saber se é amor?
Ela ri-se com ar cúmplice.
-Claro que era. Ontem quando saíste ainda pensei em dar-te com a cadeira nas costas
Ela ri-se de uma maneira compulsivamente idiota.
-Pois. É a sorte que tenho. Ou cagam para a minha existência ou dão-me com cadeiras
e mobília diversa.
-Cagam para a tua existência. Em português existe a palavra indiferença. Hás-de experimentar usa-la.
-Olha que lata, fala o gajo que só diz caralhadas!
-Ora essa. Quanta revolta. Caralhadas? E isso são lá maneiras de falar? Logo tu
que até andaste nos escuteiros. Devias ter vergonha.
-Olha-me este gajo a gozar com a minha cara. Vou ter de aturar as bocas dos escuteiros durante a vida inteira?
-Ora essa claro que não... só enquanto eu for vivo.
-Foda-se que sorte a minha.
-Tens a certeza que desististe dos escuteiros? Eu acho que foste expulsa por síndroma de Tourette.
-Vou fazer de conta que não ouvi. Por falar em ouvir que merda é essa que tá a bombar nesse
teu mp3 maricas?

-...This is the way you left me
I'm not pretending
No hope, no love, no glory
No happy ending...


-Mika!? És gay! Só podes ser gay!
-Porquê tu não ouves Mika?
-Sim mas eu sou gaja.
-Ah claro, não tinha reparado!
-Isso é uma boca por ter as mamas pequenas?
-Não tenho nada contra as tuas mamas. Alias até as acho bastante interessantes. Se
as tuas mamas falassem acho que seriam bem mais educadas que tu.
-Olha mas que merda, tas com uma moral do caralho. Passas a vida a dizer merda e agora tás com umas fitas merdosas.
-Parabéns.
-Parbéns porquê?
-Atingiste um novo record de palavrões numa só frase.
-Irritas-me
-Eu sei. E é tão divertido não é?
-É...

2008/02/25

Saindo da gruta

Cova, lapa, furna. O que lhe queiram chamar. Para mim é somente um sítio escuro onde a gente se refugia sempre que precisa de momentos de maior intimidade. Ela também tem uma gruta só para ela. Visita-a mais vezes do que eu. Parece constantemente aluada, olha de uma forma evasiva, prolonga o olhar no vácuo por escassos segundos que acabam sempre com um gosto interminável. É bonita. Tem um sorriso parvo e olhar meigo. Não veste roupas parvas nem pinta a cara. É de um vulgar encantador. Tem um brilho característico, uma reflexo distinto da alma. Tem estatura mediana e o corpo revestido por uma matiz de claro castanho. Os cabelos brilham com uma intensidade alegre. Não sei se o tratamento tem origem em herbal essences mas o efeito é igualmente inebriante. A voz embebeda o mais rígido pensar. O mais básico cálculo mental torna-se num desafio hercúleo. Na sua presença o sistema nervoso é alvo de mini ataques, parece ser bombardeado por pequenos rebentamentos nucleares no centro de cada uma das células que o definem. Robustez, valentia, transformam-se a uma velocidade gelatinosa num tremendo feixe de nada. É extremamente irritante. Ao tentar expulsar o marasmo que o habita, refugiando-se nos seus mais secretos mundos, dá por si abrindo as portas cardíacas. No meio do pânico que se apoderou de todo o seu mecanismo humano ele sorri. De uma forma aparvalhadamente denunciada. Ela fita-o com olhos atentos, as sobrancelhas reflectem a certeza de que algo se passa. Rastreia as mãos trémulas e sorri. Finge-se despercebida, diverte-se com a vulnerabilidade declarada. O suor fino que rasteja sobre a pela nervosa denuncia o seu olhar atrapalhado. Farto do silêncio ensurdecedor que cada vez mais o amarrava a si mesmo ele lá acaba por proferir as primeiras palavras. Apesar do pensamento trémulo a voz fluiu com uma serenidade contraditória.
-Pões-me nervoso. Sinto-me como que se estivesse prestes a fazer um exame à próstata.
Ela ri-se, fita as suas mãos, já mais calmas dizendo
-Bem desde que me vejas como uma médica simpática, não vejo problema nenhum. Já agora, tens mesmo de imaginar um exame à próstata!?
Ele sorri, sente-se parvo.
-Pois, agora que já conheces as minhas fantasias sexuais já podemos ser verdadeiros amigos...
Ela dá uma gargalhada e olha-o de uma maneira extremamente divertida. A resposta que lhe dera tinha tanto de cómica como de evasiva.
-Confessa lá estás nervoso por minha causa!
-Não, achas? Só estou assim porque hoje é o meu primeiro dia nas aulas de ballet.
-Ah claro, ballet. Como é que não me lembrei disso. Logo tu que tens uma predilecção por danças.
-Estás a ver como tu me conheces?! O que era de mim sem ti?
-Bem talvez sem mim a tua t-shirt ainda estivesse seca.
-És convencida sabias?
-É assim que tratas quem te faz suar?
Ele riu-se do que ela acabara de dizer. Interpreta a palavra suar da forma mais lasciva possível. Apesar do seu subconsciente ser tudo menos libidinoso o carácter menos sério na conversa ajuda-o a serenar.
-Pois sim, suava minha querida. Nem sabes tu quanto.
-Claro que sei, suavas como um trolha ao sol. Tipo cantoneiro enquanto limpa as bordas da estrada.
-É bom saber que me vês como um trolha, de cerveja na mão. Já agora nesse teu edílico mundo eu também mando as típicas bocas?
-Não, no meu mundo tu és um mudo surdo que sua por todos os lados.
-Ah. Sempre tão querida. Se não fosse homossexual dava-te um beijo.
-Tu só não me dás um beijo porque eu te faço suar.
Ele estremesse por dentro, mas oculta o terror que sente com um riso enganador e mais uma saída insólita.
-Sabes muito bem que só suo porque o teu pai tem um talho e imagino-te constantemente de cutelo na mão a dizer quer lombo ou costeleta?
Ela ri-se compulsivamente, os olhos brilham e o sorriso espelha a alegria com um misto de desconcerto.
-Pois tinha-me esquecido das minhas origens. Estou a ver que nem o facto de estar a finalizar o curso de advocacia te faz esquecer a minha infância de carniceira.
-Nunca me vou esquecer dessa tua faceta. Não imaginas como és sexy de toucinho na mão.
Ela ri-se de novo. Ele finge ter falado sério. O frio, o nervo miudinho e o tremer generalizado tinha acabado por se dissipar por entre cada frase parva que tivera pronunciado até então.
Toca a campainha a aula chama-se ciências sociais.
Ela levanta-se deixando que os seus olhos se arrastem num movimento vagaroso. Ele permanece impávido imaginando esta despedida breve em forma de ósculo estrelar...

2008/02/24

In the wind...




How many roads must a man walk down,
Before you call him a man?
How many seas must a white dove sail,
Before she sleeps in the sand?
How many times must cannonballs fly,
Before they're forever banned?

The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind

How many years can a mountain exist,
Before it's washed to the seas
How many years can some people exist,
Before they're allowed to be free?
How many times can a man turn his head,
Pretend that he just doesn't see?

The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind.

Yes and how many times must a man look up,
Before he can see the sky?
Yes and how many ears must one man have,
Before he can hear people cry?
Yes and how many deaths will it take till he knows
That too many people have died?

The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind

Bob Dylan