




Isto não pode continuar...
Este blog é um espaço fundamentalmente pessoal, os assuntos abordados aqui dizem respeito, na sua grande maioria, a experiências, sentimentos, pensamentos do autor. A construção do blog tem como principal objectivo dar a conhecer alguns textos a pessoas que estão longe e às quais quero dedicar estes meus momentos de reflexão (não são muitos, mas é o que se arranja). Obrigado por visitarem o blog! Um abraço.:)
Depois de acabado o treino, que durou cerca de uma hora, sempre acompanhado por música incentivadora, tal como "So fucking what" e "Die Die my Darling" dos Metallica que punha a correr sempre que tinha de aumentar a velocidade na corrida ou a cadência da pedalada na bicicleta até aqueles ritmos mais relaxantes, tais como "Encosta-te a mim!" do Jorge Palma, entre outras do David da Fonseca. O resto da manha reduziu-se a... descanso!

confessem lá, vocês gostavam de ter uma mãe como a minha não gostavam!? Pois, mas isto não fica por aqui, há aqui algum de vós que tenha doce de figo feito pela mamã? Hum!? Aqui ficam algumas imagens da doçaria convencional,








You lie in your bed like a submarine
With an open window letting the water in
A voice in a choir
A flicker of a fluorescent tube
An injured bird around the room
That was caught in the wire
So don't you go playing tough
I know this game and I had enough
So lets keep this clear
Free from all those little schemes
A little bit more like... dreams
Oh it's right in front of you
The longest road for you to walk through
If this is the place to start
Then go, follow your heart
You're famous for your dancing feet
But you're tap dancing on wet concrete
Hey Fred, cool it down
You're pointing cameras at hurricanes
Like you could stop them, lock them in frames
A scream with no sound
So don't you go and be the best
There's no one running, this ain't a test
It's you and me here
This is like nothing you've seen
Like a nightmare, like a dream
Oh it's right in front of you
The longest road for you to walk through
If this is the place to start
Then go, go, follow your heart
Follow your heart
Follow your heart
Senhor david da fonseca na sua estrada mais longa...




O dia convidava a um repousante serão encostado a uma almofada, uma daquelas alturas em que a nossa casa se apresenta como o melhor local a visitar. Estava um daqueles dias feios como tudo, as nuvens respiravam um ar pesado, o ambiente apresentava-se extremamente húmido e a temperatura encontrava-se estupidamente elevada. Apesar do cenário se revelar um dos mais feios do ano não me apetecia ficar em casa à espera que a noite viesse para me embalar em sonhos. Senti que apesar do calor que se fazia sentir, do aspecto feio do céu e da extrema luminosidade que me irritava os olhos, fazer uma viagem até à beira mar seria bastante gratificante. Nunca tinha visto o mar num dia tão feio como este. Como seria o rebentar das ondas na areia branca quando o sol não ilumina o suficiente para que esta brilhe como um infinito aglomerado de microscópicos corpos estrelares? Como seria o aspecto do largo manto de água à superfície? Será que aquele efeito espelhado que nos faz mergulhar em sonhos se consegue notar com estas condições adversas do clima? Sempre tive curiosidade em olhar para o mar revolto, em sentir a sua raiva, em imaginar naufrágios de marinheiros, lutas épicas entre o capitão gancho e o capitão Iglo. Cenários totalmente utópicos vindos directamente de um dos meus muitos mundos imaginários. Lembro a sensação estranhamente acolhedora. O movimento constante e bailarino do mar tentando o penetrar por entre o corpo fértil da areia é como uma espécie de sorriso no meio da cara grave e triste que o céu se encarrega de pintar. Recordo o pisar a areia, o sentir aquele refrescar meigo da água nos pés cansados, imagino a sensação de sentar e fechar os olhos, sentir a brisa do mar e inspirar o som dos búzios ausentes, imaginar mil contos de fadas, navegar em busca do tesouro como se fosse um Jack Sparrow a comandar um fantástico navio fantasma. Abro os olhos e caio de novo na realidade, encontro-me outra vez perante o dia feio e triste mas trago comigo a luz e a cor, os sonhos e sensações, o navio mágico e a alma de pirata, tudo isto pintado num sorriso alegre e livre de criança…


Passeias como fogo brando
Por entre as malhas da roupa que trago vestida
Aquecendo o sótão onde me escondo.
Devolves-me paz.
Entregas-me de mão beijada
A mão trémula e húmida
Sopras-me ao ouvido sorrisos
Que trazes no teu olhar
Rodas e escondes o rosto
Mostras a fraqueza que não tens
Rodas de novo devagar
Expondo tudo o que és
Num movimento modular
És o trampolim onde salto
Em direcção à lua
A auto-estrada à felicidade
Que não é minha, nem é tua
É a mais bela cidade
No país do sentir
Um hino na verdade
Mais um prazer, um sorrir
Um lugar que me acalma
Um beijo no espectro da palma…


Surge no abraçar esporádico
Ao sentir calor humano
Renasce num rasgado sorriso
Numa forma de alegria,
Um sentir de desengano
Motivo de euforia.
Altiva forma de estar
Leveza primaz de espírito
Serenidade que transpira
Um mar de bons eventos
No deserto de maus pensamentos
Comboio do bem sentir
Trazes cheiro a rosmaninho
Tens paladar definido.
Água benta que limpa
A sujidade da tristeza
A impureza do marasmo
A doença do não querer ser.
Independente de status
E classe social
Invariável na raça
Desconhecida da moral.
Moras mesmo aqui ao lado
Sempre à espera dum abrigo
Há gente que te abandona
Hoje vou dormir contigo…
Conseguimos arranjar um spot perfeito, mas quando lá chegamos já lá se econtravam algumas, não muitas, dezenas de pessoas. Ficamos mesmo à beira rio, ao nosso lado tinha-mos a companhia duma família ainda bastante numerosa, uma rapariga relativamente bonita mas que pecava pelo excesso de maquiagem e que tinha a pecularidade de ter dois dedos dos pés unidos e isto acontecia nos dois pés. Do outro lado tinhamos a companhia de um senhor da força aérea que se encontrou a repousar em sono profundo até cerca das 9 horas.
Passados algum tempo o rio começou a ganhar vida. Os barcos tradicionais começaram a passear de um lado para o outro e apareceram lanchas particulares que acabavam por criar um movimento bastante interessante no leito do rio.
Até ao começo do evento propriamente dito, houve ainda tempo para assistir a umas ameaças, o pessoal nestas alturas é tudo menos civilizado. A gente levanta o rabo da cama cedo para poder ter lugar decente e depois vem as aves raras que se lembram de passar à frente das outras pessoas, aqueles idiotas armados em inteligentes. Foi engraçado, porque a certa altura um destes idiotas estava mesmo naquela do vai que não vai para ir parar ao rio, porque houve um monte de gente que se revoltou contra a esperteza saloiam, felizmente os gajos acabaram por se por no andor e acabou tudo por voltar à normalidade.
O resto do dia foi passado a admirar as acrobacias e a tentar apanhar os aviões na maquina fotográfica, como era de esperar não foi possível captar grandes planos das maquinas voadoras, no entanto ficam aqui alguns exemplos do que se passou nos céus do Porto.

A vontade de sair não era muita, confesso. Estava num daqueles dias em que o marasmo parecia tudo fazer por ser ele a determinar os meus passos. Se a vontade de sair era pouca, a de obedecer à inércia era ainda mais pequena. Se tenho alguma certeza é a de que parado não vou a lado nenhum, a não ser, numa hipótese muito remota, que a empregada do gás me apareça em casa com uma vasilha e insista em ser ela a colocar a botija no devido lugar, curvando-se naturalmente sobre o fogão. Tirando estas hipóteses obviamente utópicas, era certo que ficar enclausurado entre quatro paredes fastidiosas não prometia garantir um fim de dia interessante. Saí com a bicicleta sobre o ombro, trazia comigo um sorriso idiota, provavelmente devido ao facto de me imaginar a dar uma preciosa ajuda à menina do gás. Acedi o pátio do prédio e saltei rápido para cima do selim, pedalei nos momentos iniciais com toda a força que tinha. Gosto de me sentir vivo, gosto de sentir os músculos trabalhar, sentir a mecânica dos pequenos discos dentados que se entrelaçam na corrente e fazem mover monocordicamente a roda, num movimento relaxante. Após alguns minutos o batimento cardíaco lá se adaptou à respiração e dei por mim a apreciar o sussurrar do vento, ouvi o zumbido do pneu no asfalto que me acalmou, como se me tentasse adormecer. Em vão, a cada pedalada que fiz aproximei a mão da brisa sobre todo o meu corpo e foi-me devolvido um novo despertar, lembrei imediatamente que estava ali por alguma razão. Tive de andar para a frente, sempre o mais rápido possível, é nas subidas que sentimos a voz da gravidade a dizer não, sabia que não podia desistir, abrandar só me atrasava a chegada ao destino e eu dirigia-me para o mar. Percorri o leito da estrada e serpenteei sobre os obstáculos. A subida acabou por ser ultrapassada, é sempre a mesma sensação, senti a pressão arterial a descer, as pernas mantiveram o movimento, a tentação de acelerar para ganhar velocidade na descida é grande mas eu não podia perder a oportunidade de esticar as costas e abraçar a vida de braços abertos, semicerrando os olhos ao mesmo tempo que esboçava um sorriso de alívio. Sabia que breve iria parar, já não restavam muitos metros a percorrer, talvez uns 600. Não gosto de parar bruscamente, era hora de abrandar o coração, nesta altura lembro sempre o desacelerar dos comboios, passado alguns segundos deixei a força do atrito servir de travão. Acabei de chegar. Senti, como sempre, o coração a falar comigo, agradeceu-me por o ter levado a passear pelo mundo da novidade. O passeio, no entanto, não terminou com o desmontar a bicicleta. Tinha mais um surpresa preparada, não pelo facto dele fazer anos, somente porque sim, dei por mim a caminhar sobre a areia do mar, levei o veículo à mão arrastando as rodas vagarosamente sobre a areia que se moldou propositadamente para nos dificultar o movimento, o coração bateu de alegria. Já não faltavam muitos metros para pousar a bicicleta. Cheguei. Tirei a mochila que trazia com água, tirei as sapatilhas, t-shirt, fechei os olhos e tentei engolir todo o ar húmido que me circundava. O bater de alegria foi, progressivamente, dando lugar a um sono pesado. O meu coração adormeceu, eu mergulhei em mim e beijei o rebentar das águas com os pés, o irrequieto músculo cardíaco deu novamente sinais de vida, a temperatura teimava em acorda-lo, no entanto, o sono era cada vez maior. Caminhei um pouco mais em direcção ao mar e acabei, passado algum tempo, por mergulhar nas águas turvas, acordei definitivamente para a vida num banho de emoções, lavando a mente e corpo num refresco de sensações e adormeci a alma sobre o borbulhar da água salgada.