





Este blog é um espaço fundamentalmente pessoal, os assuntos abordados aqui dizem respeito, na sua grande maioria, a experiências, sentimentos, pensamentos do autor. A construção do blog tem como principal objectivo dar a conhecer alguns textos a pessoas que estão longe e às quais quero dedicar estes meus momentos de reflexão (não são muitos, mas é o que se arranja). Obrigado por visitarem o blog! Um abraço.:)




Tinha somente 12 anos, o pequeno Francisco. Revelava em cada acto seu uma maturidade de um adulto, todo ele era criatividade, todo ele era um sonho, um sonho de criança… Fazia da vida um jogo. Fazia perguntas a si mesmo, e passava o tempo a tentar obter respostas para as mesmas que se tinha proposto resolver. Formulava questões cuja resposta era, após alguns minutos de reflexão, relativamente trivial; formulava também perguntas para as quais passava imenso tempo à procura da resposta e ainda algumas que nunca chegou a encontrar solução. Francisco tinha um tio que admirava muito, chamava-se António, era escritor. António formara-se em advocacia era uma personagem taciturna por natureza. Era daquelas pessoas sombrias, com um semblante profundamente pesado, tinha apenas 45 anos e uma aparência de 60, falava com voz pesada, pausadamente. Dava a sensação que passara a vida inteira dentro de uma prisão invisível o sorriso nunca se ouviu falar. No entanto António era uma excelsa pessoa, responsável, inteligente consciente e amigo do próximo… Conhecendo o tio como pessoa Francisco não entende a tristeza que António carrega e dirige-se perguntando
--Tio… Tu tens amigos??
--Sim tenho… Tenho-te a ti Francisco…
--Pois… Mas e sem ser eu? Não gostas de pessoas??
--Gosto Francisco… Porque perguntas isso??
--Andas sempre triste… Nunca te ris.. Não gostas de viver??
Pela primeira vez
--Gosto de viver… Mas não gosto de ver a vida da generalidade das pessoas… sabias, Francisco, que a maior parte das pessoas não tem sequer dinheiro para uma alimentação decente??
-- Não.. Não sabia.. Mas porque?? Se não tem dinheiro vão trabalhar…
António sorri pela segunda vez…
-- E se eu te disser que as pessoas de que te falo não tem essa possibilidade como te sentes? Feliz e com vontade de rir??
--Não…
--E se eu te disser que aquelas pessoas com quem convivo diariamente são totalmente insensíveis aos problemas de que te falo… Sabendo tu isto que te apetece fazer?? Rir??
Pela primeira vez em muito tempo Francisco adopta uma expressão pesada, incrédula… Sente que o mundo fantástico que imaginava viver afinal não é bem aquele que corresponde à realidade…
--Não… Mas porque é que as pessoas não acabam com todos esses problemas…
--Muitos porque se convenceram de que não vale a pena, outros porque a miséria de muitos garante a vida de luxúria em que vivem… Outros… Bem os outros não pensam em mais nada a não ser neles…
--Então e tu o que fazes pelos outros??
--O que eu faço pelos outros consiste naquilo que eu não faço…
--Ah? Como assim??
--É exactamente isso… No meu trabalho os melhores clientes são, em sua grande parte, pessoas cuja vida representa tudo aquilo que eu luto contra… Se esses fossem meus clientes eu sabia que estava a defender uma causa errada estaria a contribuir para a inocência de um corrupto assassino ou ladrão… Não o faço… Não ganho rios de dinheiro como aqueles colegas de trabalho… Não sou reconhecido… Não sou admirado na alta sociedade… E sabes porquê?? Porque faço aquilo que acredito penso ser o melhor para todos… Porque na verdade eu só faço o melhor para mim quando os outros, na pior das hipóteses não são penalizados…
--Ah e isso é como tu ajudas os outros??
--Sim… As pessoas tem a ideia errada de quem faz doações, é uma pessoa que ajuda os demais… Pois bem isso está errado…
--Como?
--Imagina o seguinte cenário… Uma empresa cheia de dinheiro pretende que eu os defenda em tribunal contra um conjunto de operários… Se eu conseguir ganhar o caso em questão, os operários são despedidos… Dezenas de famílias ficarão no desemprego… Se eu não o ajudar estou a contribuir para que ele perca e para que as famílias continuem o seu trabalho ou pelo menos que sejam devidamente indemnizadas… No primeiro caso eu seria chorudamente recompensado, teria dinheiro suficiente para depois, fazer uma doação às famílias, mesmo oferecendo todo o dinheiro recebido não iria ajudar em nada a situação financeira dos pobres operários… No segundo caso, optando por defender a causa dos operários eu não iria obter grandes lucros se é que iria obter alguns, no entanto as dezenas de pessoas iriam ter aquilo que merecem por direito…
-- Ah já entendo porque és triste tio…
--Pequeno Francisco não fiques triste… Tu és muito jovem para te preocupares com isto… Mas lembra-te de uma coisa… Se durante a tua vida não puderes ajudar ninguém certifica-te pelo menos que não os prejudicas… Lembra-te que ajudar os homens não é, em geral, ajudar a humanidade…
--Ok tio…
Francisco desatou a correr para o quarto… Francisco chorou como já não o fazia há anos…

Trazes contigo a dor a mágoa...
Pesar imenso, amargura
Levas de mim toda a vontade de viver
Nutres em mim
A vontade imensa de deixar
Tudo para trás, de partir...
Nasce em mim um novo intento
Que me enceta um novo alento
Uma vontade de ganhar, conquistar
Aquilo que me fugiu...
Aquilo que nunca tive...
Nuvem que tiras de mim a razão
Cegas-me o juízo, ponderação...
Obstruis-me de furia, tapas com raiva
O meu ser...
Fazes de mim um animal, irracional..
Um demente, privado de razão
Cobres-me a mente a alcatrão...
Transformas o que me rodeia
Descobres uma realidade
Escura, triste, sombria...
Cenário melancólico, tenebroso
Num movimento alcoólico, temeroso
Articulo as primeiras expressões
Deixo escorrer as emoções
Fujo daqui cambaleante
Procuro o ser infante
O menino, criança, esperança
Segunda virtude teologal
Vontade de viver, nova moral...
O assunto de hoje é tudo menos original... A questão que se coloca hoje é: "Quando eu nao queria nada com ele(a), ele(a) andava atras de mim, agora está-se basicamente nas tintas para a minha existência!". Quem não sabe do que estou a falar pode deixar de ler isto imediatamente, os restantes... bem os restantes ja devem ter passado muitas horas a tentar explicar o porquê deste triste facto que acompanha a maior parte (para não dizer todas) das pessoas à face da terra. Bem a resposta obviamente que não é nem pode ser uma só, cada caso é um caso, como é natural, no entanto todos nós temos uma opinião formada e lá no fundo encontramos uma explicação para o facto. Bem eu não sou diferente das restantes pessoas e também tenho uma tese sobre o assunto. Eu imagino isto como uma balança, em que o peso é a atenção que nós damos à outra pessoa e os pratos da balança são nada mais nada menos que as pessoas da relação em questão. Quanto mais atenção, importancia damos à outra pessoa mais "peso" exercemos sobre ela e maior é força com que a impelimos fora do prato e a fazemos saltar da balança (aqui representando a relação). Moral da história devemos manter a balança equilibrada, não dando atenção de mais nem de menos. Equilibrando esta inversa proporcionalidade. A esta hora voces devem estar para aí a pensar quaquer coisa do género! Tu és um artolas de primeira, deves achar que essa tua teoria tem alguma razão... Eu fiz tudo como devia fazer na minha última relação e ela mandou-me dar uma volta com o primeiro que viu... Pois isso acontece a todos, quero ja dar os meus pesames a quem teve este raciocinio, nao o desejo a ninguem. Bem este cenario é real e obviamente não entra na explicação da balança. Mas então o que é que se passa? É muito simples o peso que puseram na balança nao cabe no prato da balança... Por várias razões! Ou por a(o) parceira(o) nunca ter gostado de si. O que é mau e voce ja devia ter dado conta disso (ja deixava de ser tanso(a)). Ou porque basicamente (como pode ver em
"melhor" encontrou alguem "melhor"... Em muitos casos realmente a pessoa por quem foi trocado(a) é substancialmente melhor que voce (entao melhor que eu é de certeza) e neste caso voce não tem nada a fazer senão ficar feliz pela outra pessoa e dar umas cabeçadas na parede para esquecer o triste episodio, este é o pior dos casos. Existe ainda outro caso quando voce é trocado por uma pessoa que aparentemente não é melhor em nada. Como é possivel? São varias as razões e normalmente nos nunca chegamos a saber porque, apesar de tudo há uma razão que explica muitos dos casos. A outra pessoa é diferente de voce... Simplesmente isto, há pessoas que com o passar da relação vão ficando cada vez menos interessadas porque se por um lado conhecemos melhor a pessoa por outro tambem é verdade que esta cada vez menos nos surpreende vai ficando cada vez menos "especial", muito daquele brilho que nos encontramos na pessoa no inicio da relação vai sendo esquecido por muitas pessoas, e com o passar do tempo voce vai ficar para o(a) parceiro(a) uma pessoa cada vez mais vulgar. É justamente este vulgar, que por sua culpa ou não, faz com que a outra pessoa o mande dar uma volta...
Acabando com uma citação:
Seja voce mesmo, mas nao seja sempre o mesmo...
CD de Gabriel o Pensador...
Subi a serra devagar...
Olhei o mundo em redor
Voei sobre a mancha de cor
Sorvi toda a tonalidade da encosta
E vi-te...
Desci a serra num ápice
Abandonando o cimo,o pico da tela
Cedi o quadro cinematográfico
Em que estava marchetado
Cimo, alto que mantinha afastado
Longe de ti...
Assim que te vi...
Corri, sou todo velocidade
Sinto-me leve, não obstante
Experimento a leveza da tua presença
Na minha alma fraca..
A força do teu sorriso transporta-me
Move-me a ti...
Chego ao vale da serra
Caio cansado...
Desperto de imediato para o sonho
Concilio mente e corpo
Capto-te num movimento leve
Semitransparente e turvo...
Sei que estou a sonhar...
Acordo...
Vou de novo subir a serra...
Vou de novo devagar...

Vem acompanhada pela sombra
Parem com este inferno...